A cultura hip-hop trouxe das ruas a intervenção artística do nosso meio. Emendou o tormento do gueto à atribulação da luxúria. Muitos vivem dessa cultura, muitos vivem dessa verdade; pois, o rap não é nada mais que um cuspe descritivo da nossa realidade. O rap possui a liberdade lírica que os outros estilos musicais não desfrutam: o hábito de empregar rajadas e rajadas de consciência e desabafos os quais podemos logo perceber em apenas uma de suas canções.


Toda faixa conta-nos algo, como uma história. O que nos custa contar, é que por trás de toda essa realidade transmutada em fantasia, aqueles que dançam sob a sua ópera, sofrem o peso de carregar as demais essências da pista. Desde as que inspiram, até as que destroem. Visto que,  viver da mesma se trata de uma tradição, cultuada há muito tempo pelo ego, pela demanda hipócrita, pela prostituição e pelas drogas. Estas sãos as atribuições da cultura que assistimos.
É um fardo. Mas não há um mc que usufrua da sua letra não esperando algo em troca neste meio, e isto se dá a um fato: somos isso. É do tipo humano. E se pararmos para analisar, quando não é pregada a luta contra um macro social, o que se prega nas letras é o que queremos, é o que temos ou o que prevemos ter.
Até as letras mais antigas exibem a benevolência agraciada pela inspiração. O problema é que a sua consequência nos manipula. E hoje, vivendo o século moderno, numa geração de soberbos, muitos dos jovens que rasgam suas vozes, quando fazem pela poesia, depois do feito permitem-se pela própria ganância, se enforcarem. A fama é passageira. Poucos aceitam-na momentânea, todos desejam o gozo aflorado de sua relação.
O ponto que quero chegar, é o assassinato casual de nossos cantores. Logo respondendo a seguinte pergunta: “por que o rap se limita?” é justamente, porque vivemos em um espaço estúpido de mais pra permitir a sua grandeza, sem sofrer os frutos que deles se derivaram. Seus efeitos colaterais. Abundâncias da pista.

Fonte: Jasiele Souza