Correio Nagô promove ocupação hiphop no Shopping da Bahia. Oficinas, rodas de conversa e apresentações marcaram o evento realizado no espaço “Vale do Dendê”.

Pouco mais de uma semana após a grotesca cena de racismo contra uma criança, ocorrida na praça de alimentação do Shopping da Bahia, é a Ocupação HipHop promovido pelo projeto “Correio Itinerante” quem faz o contraponto. Na Calada Rec., Visioonárias, Coletivo Brota Xota, Real Hiran, Coletivo Vira Lata, Balostrada Rec. foram algumas das atrações que participaram do evento, com oficinas, rodas de conversa e apresentações. O evento contou com um público diversificado, e proporcionou uma experiência de troca muito importante entre público e artistas da cena.

Abrindo a programação do evento, as oficinas de beatmaker, ministrada por Dactes e Conflito, e de rimas, ministrada por Devon, aproximaram o universo da produção de Rap com o público. Os oficineiros trouxeram um pouco de suas experiências pessoais e deram dicas técnicas para quem se interessa em seguir a vertente musical. Para o produtor musical Dactes, a experiência foi importante, pelo formato, que deixa de ser uma troca rápida como costuma acontecer nos eventos, e permitiu um bate-papo atento sobre o assunto.

Após as oficinas, uma roda de conversa com Udi Santos e Brena Ellen do grupo Visioonárias, Luan Òwe e Lukas Vuto da Balostrada Rec., deu pano pra manga. Os e as MCs falaram de suas inspirações, das dificuldades, estratégias e perspectivas dentro do Rap. Além disso, lembraram a origem negra e de gueto que marcam o estilo musical, reforçando a importância pra identidade, autoestima e valorização que o artista de Rap pode passar para o público.

A presença do machismo e da homofobia no Rap também foi assunto criticado. Entre as diversas opiniões, todos concordaram que além das referências que estão ocupando espaço, o público também é responsável mudança. Não menos polêmico foi a questão dos contratantes e do tratamento dado aos artístas pelos produtores de evento. Sobre o assunto Udi Santos lembra que o artista precisa saber o que quer com seu trabalho e definir o seu valor. Brena Ellen complementou “queremos olhar em volta, e ver apenas preto na cena produzindo e recebendo o valor do seu trabalho”.

Após a roda de conversa o evento promoveu um momento de Mic aberto, dando espaço para artistas convidados e públicos se expressarem, com música e poesia. Encerrando as atividade Real Hiran falou da experiência de ser um artista de Rap do interior da Bahia, de Alagoinha, que representa o público LGBT, transita em outros estilos, mas que tá sempre buscando firma sua identidade de Rapper.

A “Ocupação HipHop” foi uma iniciativa do Correio Nagô, que está completando 10 anos na produção e difusão de conteúdo de interesse da povo preto. Através do projeto “Correio itinerante” que acontece toda quarta-feira, no espaço Vale do Dendê, no Shopping da Bahia, o portal visa ampliar o contato com o público.