Shan começou a rimar em 2009 e pausou as atividades em 2012, quando precisou se dedicar a faculdade e ao trabalho, mas continuou escrevendo e acompanhando o cenário local e nacional. A faixa “Kitty Pryde” nasceu totalmente sem compromisso, estava na casa de Afrobeatz pra uma reunião de um outro projeto e no final começamos a escutar alguns samples que ele tinha guardado. Escolhi um, recortamos uma parte e começamos a montar as baterias de um beat. Levei o beat incompleto pra casa e comecei a escrever o início, fazendo referências a pessoas e seus feitos, e daí pensei em fazer a faixa toda assim com referências.
Depois acabou que a gente não botou pra frente a idéia e eu levei o os versos que eu já tinha escrito pra Mimoso e ele desembolou o beat em cima do flow e das trocas de idéia que a gente foi mantendo. No fim das contas as rimas foram indo pro lado de relatar minha caminhada na arte, a forma como eu componho
e me posiciono em relação à carreira e algumas linhas em relação a opiniões minhas mesmo sobre o cenário.


A música fala sobre como eu lido com meu trampo de rap aqui. Eu tenho um trampo fixo clt que toma muito meu tempo. Tipo, ao mesmo tempo que me dá condição financeira de comprar um beat, pagar uma gravação, me tira todo o tempo de compor, mexer nas minhas redes sociais, agilizar outras coisas burocráticas que envolvem uma carreira que eu não tenho quem faça por mim. E nesse corre, acaba que minhas paradas seguem um tempo meio que lento em relação aos demais, mas eu blindo minha cabeça pra focar no meu, sem deixar me abalar com o que tá em volta, ou as dificuldades que aparecem no meu caminho.
Por isso a referência a Kitty Pryde, uma personagem de histórias em quadrinho que atravessa coisas e pode deixar que coisas a atravessem também, sem sofrer danos. Juggernault, ou Fanático, também é um vilão da mesma série de HQ, que não pode ser parado quando posto em movimento, e segue quebrando tudo que vem pela frente usando a cabeça.
Existe uma cena de filme em que eles têm um embate onde, enquanto ele vai quebrando tudo sem olhar pra onde está indo, ela usa a inteligência e cria uma estratégia pra criar uma armadilha pra ele, que acaba perdendo pra si mesmo.
Por isso: “…Batendo a cabeça tipo Juggernault…” e “Andando pra frente eu sou intangível, to tipo Kitty Pryde”
O som foi gravado, mixado e masterizado por Filipe Mimoso GANA) no Kfeinna Rec. O webclipe foi feito num Iphone 6 com a ajuda de amigos meus. Eu escrevi o roteiro, Jean Santana fez as imagens, Diego Oliveira dirigiu as cenas e depois eu editei.

Fonte: Shan